Pessoas a ler

Meia-estação (3/16)

Nesta quadra vulgar
como as pedras da rua
Venho desdenhar
A meia-estação que há tanto perdura.

Adeus a mim.
Adeus meia-chuva.
Adeus meio-sol.

Adeus a tudo o que em mim era por metade, tudo o que em nada era completo.

Hoje quero ser por inteiro,
Hoje quero ser real,
Hoje quero ser eu a mandar,
Hoje rasgo as meias roupas antigas que de nada protegiam, e visto um belo casado feito com o meu suor, a minha força, a minha vontade.
Enfeitado com alegria, algum amor, um bocadinho de orgulho, uma pitada de vaidade.
Hoje sou eu.
Serei a minha prioridade.
Serei o meu principio e o meu fim.
Hoje serei um só inverno, um só verão.