Pessoas a ler

Valsa da tempestade

Sao trilhos traçados, estreitos e escuros,
Que em cada centímetro do teu corpo  quero percorrer ! Num devaneio de trovoadas e ventos nesse belo esconderijo onde o fogo do amor tem de arder sem se ver e a paixão aclamada em silencio por entre olhares discretos ! 
Onde as mãos se roçam sem se tocar e o amo-te preso na garganta apenas ruge no olhar!
É um caminho árduo e tortuoso mas que ruma à felicidade, também ela coberta de cores outonais que de vermelho pouco mostram !
É o caminho penoso da paixão ardente de mil sois encolhidos numa vela que guardamos só para nos !
Uma faixa de musica gravada em silencio nas entrelinhas do nosso compasso, da nossa valsa, que me leva ao céu num minuto ladrão que teima em roubar o que é meu!
Leva-me daqui ,
Por elisios campos em passo de corrida para que nem o vento nos possa denunciar e a maldade aos olhos de outros nada possam fazer a este nosso navegar !
Vem de mansinho ao covil dos lobos salvar o teu cordeiro , veste lhe a tua coragem mascarada de indiferenças e arrebata do mal o melhor que há em mim!
Segreda-me uma vez mais uma bela serenata ao luar do candeeiro do quarto confessor que apenas ele pode testemunhar o divino e o carnal em banquete enquanto as mãos que se roçam sem tocar finalmente se entrelaçam numa só e que nada nem ninguém no minuto roubado ao segundo se transforma na eternidade que é nossa por direito, não pela força, mas pelo amor !

Chega aqui mais perto, deleita a cabeça no meu peito, ouve a maquina ja cansada ganhar nova vida!
Respira fundo e tira-me o ar e dá vida a este velho moribundo que de tantas guerras ja não encontra paz a não ser no silencio do teu abraço !
Liberta a vela e incendeia o átrio do cinema onde os melhores filmes estão para estrear , nas mil e uma aventuras que tu e eu teremos para contar!

Sente-me

Sente o meu peito,
rasga-o de paixão.
sente o meu coração na boca sempre que te digo que te adoro.
Ama-me até ao infinito e o mundo será nosso.
Enche-te de mim,
Abre a boca e liberta a saudade.
Sela a minha com um beijo eterno,
que libertará a dor.
Foge comigo num segundo para que o eterno a nós diga respeito.

Tempo Ameno !

Já são meses,
de palavras soltas ao vento, que como pétalas de rosa, assentaram no chão.
Palavras gastas, que o tempo apagou da folha;
sussurros que se perderam no turbilhão de sons.
Já são meses,
que não vivo,
ou pelo menos não sinto,
que não queimo nem congelo.
São meios termos da vida que não atam nem desatam,
que dão lugar ao estoico sentimento de que nada nos faz sofrer.
Ou o pensamento kantiano, que a rotina leva a perfeição.
Mas hoje cansei-me,
Hoje inspirei fundo e gritei bem alto,
levantei-me do canto  fui ao meio da sala, despi-me e expus-me ao mundo
Hoje fui livre
Hoje sonhei
Hoje agarrei nas armas,
Deitei lenha na fogueira do EU e reacendi a paixão,
hoje vou mandar, tomar as redeas e vencer,
Vou lutar, conquistar e mudar o mundo,
o meu mundo.
Hoje ganhei a maior guerra!
Ganhei-me a mim !
Tirei-me do canto e rebentei !
Numa tira de pequenas frase, apunhalei o meio frio, passei a quente inteiro,
as arterias pulsam, o coraçao acelera, a adrenalina toma conta de mim,
hoje é dia de vitória.
Hoje sonhei
hoje sonhei mesmo alto
e do alto não vou sair !

Esqueci-me de como se dorme sozinho!

Ver-te ali, quase sem roupa,
À distancia de um braço, de um abraço,
Queria poder virar-me e dizer-te que sou teu,
Tocar na tua pele suavemente, para não te acordar,
E morrer por dentro porque o queria fazer com um beijo.
Dar mil voltas na cama para tentar distrair a paixão,
Esquecer o desejo e tentar encontrar o sono já perdido,
Por esse tom de pele ja queimado do sol.
Numa cama de reis, de duas feita uma.
Queria poder voltar atras no tempo,
Para que em vez de suspirar de desejo, suspirasse de amor.
Em vez de estar sozinho, agora dormisse agarrado a ti.
Não me lembro de como se dorme!
Pelo menos sozinho numa cama plebeia, imune ao meu desespero.
Dura e fria...
Enfim, darei tempo ao tempo,
Espero que o João Pestana venha visitar-me,
Ou então entregar-me hei ao desmaio do cansaço,
Quando já nao tiver mais forças para lutar.
Tudo isto porque,
Esqueci-me de como se dorme sozinho!

Homem feliz

Melhor que o melhor de um,
Perfeito melhor de dois,
Rasga-me o peito,
Beija-me o coração.
Tira-me a roupa, que me rendo a esta paixão.
Homem feliz, casal completo,
Com chuva no horizonte que lava as vidas antigas e faz crescer o prado da nova vida.
Foi pecado,
Isso sei em mim,
Mas até o céu tremeu,
E o amor venceu.
Faz a tua magia em mim,
Relembra-me a felicidade dum beijo, o calor dum abraço.
O suor de dois corpos numa dança de paixão!
Deixa a roupa no chão e vem para a cama,
Beija-me fogazmente como se não houvesse amanhã na praia.
Lê um livro e encanta-me com magia deste mundo e do outro.
Aconchega as mantas e diz-me até já.
Porque para nós o tempo é ainda menino.

Lembra-te de mim (4/16)




Viseu, menina, formosa e eterna,
hoje bateu forte a saudade,
hoje mais uma lagrima caiu por ti,
Mulher, senhora, madrinha e minha mãe por quatro efémeros anos.
Em ti vivi mil e uma vidas,
em ti cresci mil e um metros de altura,
em ti ganhei quilometros de profundidade,
em ti construí a maturidade.
Nessa luz no alto da Sé, vi o teu manto de luz de noite,
o teu esplendor de dia.
A tua beleza quando chove no Inverno,
A tua grandeza a florir na primavera.
Os tolos chamam-te cidade das bolachas,
eu chamo-te a cidade dos carroceis, que tanto me fizeram feliz,
a cada rotunda uma aventura.
Viseu, menina, Lembra-te de mim.
Eu nunca me irei esquecer de ti, meu GRANDE amor,
Minha paixão a cada manha,
Meu doce cheiro a beleza em cada paragem de autocarro,
Minha amarga despedida,
Minha saudosa musa,
Minha rota de aventuras,
Tenho Saudades....
De ti não me despeço, mas aguardo com vontade de mil homens apaixonados,
e mil mulheres que amam.

PS: A minha capa ainda cheira a ti meu amor, minha loucura, Viseu, meu grande amor

Balada do ultimo beijo


Amo-te sim? Mesmo secretamente.
Não confies no meu silencio,
guarda o meu sorriso,
confia no que sentes quando te digo que te amo.
Eu vou star aqui, bem perto, mas longe.
Não me vais sentir tocar-te, mas em sonhos vais ouvir a minha voz.
Não me vais ver passar, mas sentirás o meu cheiro plo teu caminho.
Confia no tempo, ele é velho e sábio,
um dia, talvez um dia, o nosso amor vingue e floresça,
confia no tempo, pois a primavera logo virá.
um beijinho de boa noite

Meia-estação (3/16)

Nesta quadra vulgar
como as pedras da rua
Venho desdenhar
A meia-estação que há tanto perdura.

Adeus a mim.
Adeus meia-chuva.
Adeus meio-sol.

Adeus a tudo o que em mim era por metade, tudo o que em nada era completo.

Hoje quero ser por inteiro,
Hoje quero ser real,
Hoje quero ser eu a mandar,
Hoje rasgo as meias roupas antigas que de nada protegiam, e visto um belo casado feito com o meu suor, a minha força, a minha vontade.
Enfeitado com alegria, algum amor, um bocadinho de orgulho, uma pitada de vaidade.
Hoje sou eu.
Serei a minha prioridade.
Serei o meu principio e o meu fim.
Hoje serei um só inverno, um só verão.

Até já familia (2/16)

Quatro anos passaram, e o menino que viram crescer já nao existe.
Hoje é um homem.
Hoje luta, conquista,
Hoje rasga, queima e esmaga com a sua forca,
Com a vossa força.

Quatro anos passaram, e a mochila ás costas deu lugar à capa.
Hoje visto um colete e uma batina,
Em honra de tudo o que me ensinaram,
Em honra de tudo o que foram para mim,
Em honra do que fizeram de mim.

Hoje a vergonha e o medo deram lugar a uma cabeça erguida com orgulho.
Orgulho de ter passado os seus melhores quatro anos,
Ter feito os melhores amigos,
Ter conquistado a melhor família que se pode pedir.

Hoje vesti a vossa pele,
Hoje ensinei o que me ensinaram,
Hoje fui eu o pai, a mãe e acima de tudo o irmão que todos vós o foram para mim.

Obrigado,
Do fundo do coração, obrigado.
É impossível descrever o que sinto por todos vós.
São o orgulho daquele pequeno menino que num domingo partiu numa viagem que mudaria a sua vida para sempre.

Obrigado

Adeus ilusão (1/16)

Embriagado de mim,
Curei a ressaca de amor,
Com um pouco mais do mesmo.
Esqueci-te e apaguei-te,
Com a mesma borracha que tantas vezes me apagou a mim próprio,
Nesse mundo onde não pertenci, apenas visitei e vi.

Cheio de mim,
Fiquei vazio de ti,
Despeço-me com magoa,
Mas sem ressentimentos,
Deste tempo que prometia ser eterno,
E foi, enquanto durou.

Anos passaram, e não dei por eles a passarem por mim,
Nasceram as primeiras rugas no coração e não dei por elas,
A elasticidade de cada fibra esmoreceu
Tanto passou que morreu.
Hoje não poderás voltar a casa, porque já a limpei de ti,
Desse teu pó que tanto me sufocou.

Agradeço-te por tudo,
Tudo mesmo,
Porque, não graças a ti,
Mas por tua causa,
Cresci, aprendi.
Hoje sou quem sou, tenho o que tenho,
Graças a mim .

Sinceramente?
Foi bom o que aconteceu,
Mas melhor foi ter acabado.
Sinto-me como um leão selvagem que foi aprisionado uns tempos e depois liberto.

Aprendi a dar-me valor, obrigado.

Não por ti, não graças a ti,

Mas por tua causa .